Geeente, ontem fiquei impressionada sobre um bla bla bla com a Bruna, no qual eu fiquei quieta durante uns 20 min ouvindo ela falar de Hinduismo e Hare Krishna etc... e realmente, o mundo, inclusive o mundo consumista e a moda está cheio de símbolos ligados a isso que as pessoas olham, usam e nem sabem o que significa... e eu mesma já tive uma camiseta que eu adorava que tinha Shiva desenhada e eu nunca tive sequer a curiosidade de pesquisar sobre o assunto... e, como a Bruna disse, não é questão de ser religiosa e sim de ser curiosa e conhecer o que as pessoas acreditam, para poder ter um olhar crítico, gostar ou desgostar, e não falar que não acredita sem saber o que significa. Talvez eu devesse começar a me interessar por assuntos mais diversos também...
Óbvio que hoje, depois de todo bla bla bla que tivemos, a primeira coisa de útil que eu fiz no trampo foi conhecer um pouco mais sobre o assunto... sei bem pouco, mas já deu para ter uma idéia, coisa que eu nem tinha antes... e sabe o que é estranho? a semelhança na essência de todas (todas não, apenas as que eu conheço e mesmo assim, conheço muito pouco) religiões orientais... eles são muito da vibe do desapego... tipo, eu não sou esse corpo, o mundo material é uma ilusão na qual a gente está inserido apenas para ser testado e alimentar nosso espírito... eles são nada materias e isso faz com que também pareçam meio acomodados quanto a uma situação precária a qual talvez sejam colocados no mundo... tipo, se eu nasci pobre, numa classe mais baixa, tem que ser assim, mas tudo bem porque nada disso é real, eu não sou esse corpo, eu vou ficar aqui na minha situação precária alimentando apenas meu espírito...
É uma vibe pesada né??? tipo, to me fudendo, passando fome, cagando em buracos na terra e morando num barraco ao lado destes buracos (cenas do livro "A distância entre nós", outra recomendação Debão) mas vou me contentar porque é para ser assim e, um dia, quando eu nem lembrar mais que eu tive esta vida (qd morrer) eu vou ser "compensado"... alcançar o nirvana... aliás, existe palavra mais sinônimo do desapego do que nirvana???
Sei lá... talvez seja meu ceticismo, mas essa imagem só me traz a cabeça: "é... alguém (entenda-se alguém como uma classe, um grupo, uma instituição, sei lá) que era mais esperto, talvez mais culto e tinha mais propriedades 'inventou' uma religião na qual as pessoas ignorantes se contentariam em não ter tanto dinheiro, tanto poder igual eles... e essa religião foi se desenvolvendo, se disseminando etc e hoje, pleno séc XI nós temos as famosas castas e você não pode se relacionar com pessoas de castas diferentes, nem sentar na mesma mesa e é impossível você mudar de casta... você pode roubar um banco e ficar rico, mas continuará sendo um plebeu... mas tudo bem né?? nasci assim, não há o que fazer...."
Um trecho de um livro que fala sobre hinduismo:
"De acordo com a tradição, Brahma teve quatro filhos que formaram as quatro castas originais: brâmanes (saídos dos lábios de Brahma), são os sacerdotes considerados puros e privilegiados; os xátrias (originários dos braços de Brahma), são os guerreiros; os vaicias (oriundos das pernas de Brahma), são os lavradores, comerciantes e artesãos; e sudras (saídos dos pés de Brahma), são os servos e escravos. Os párias são pessoas que não pertencem a nenhuma casta, por terem desobedecido leis religiosas. Estes não podem viver nas cidades, ler os livros sagrados nem se banharem no Rio Ganges."
Não vou julgar este tipo de religião, porque provavelmente se eu fosse criada neste ambiente, acreditaria nisso também, mas principalmente por ser criada meio que sem religião, dá pra criticar vai! e para mim é surreal você ter que se contentar como uma situação precária, você não poder tocar numa outra pessoa porque ela é melhor que você... por que??? nasceu em uma familia que é melhor que a sua... é, para mim no way...
Mas ao mesmo tempo, a falta de materialismo deles também é boa... só devia achar um equilibrio... mas com certeza os ocidentais precisariam um pouco dessa vibe de transcender o mundo material... a gente é muito focado nas coisas... a gente frequenta a academia para ficar com o corpo bonito, frequenta o trabalho para comprar coisas materias... é tudo muito material né?? eu acho... tem muitas saídas para você conseguir desapegar um pouco disso, aproveitar outras coisas... num precisa fazer yoga, meditação para isso... é só você guardar um tempo para pensar em coisas que não sejam seu dia-a-dia, escrever em um blog pensamentos, ir ao parque, ver um filme, sentar e ficar trocando idéias (e não bla bla bla) com algum amigo... ou mesmo ficar quieto com alguém...
Bom... tenho mais coisa para falar, mas vou almoçar... quem sabe outro dia continuo...
2 comentários:
Meeeew, vc tá escrevendo rápido demais!!! agora eu que num to conseguinto acompanhar seus pensamentos!!! Ler todas as suas indicações, então... huahuah... mas mesmo assim, valeu por todas elas, estou tomando nota e vou lendo aos poucos...
Falando em leituras, li há pouco tempo "A Cura de Schopenhaur" (adorei, taí uma sugestão pra vc... "Quando Nietzsche Chorou" tbm é muito bom!) que aborda um pouco o tema de religiões orientais. Uma personagem é obsecada pelos ex-marido e ex-amante e resolve ir para Índia fazer meditação pra tentar curar a obseção... qnd ela finalmente consegue, ela chega a conclusão q o remédio é pior que a "doença"! Ela viu que a tranquilidade e a paz trazida pela meditação tinha como preço a renúncia a todos o apegos, que não são somente bens de consumo, mas tbm idéias, pessoas e a própria vida. Q bosta! Eu prefiro querer, ter, sorrir, perder, chorar... VIVER!
Sabe que uns tempos atrás na minha aula de Relacões Públicas Internacionais(na ECA) discutia-se sobre globalização sob a ótica de um movimento da busca de equilíbrio entre o oriente e o ocidente: o ocidente deu valor demais ao amterialismo, acumulou riqueza, porém, esqueceu de cuidar da alma, as pessoas se distanciaram desse aspecto da vida; já o oriente se voltou demais ao espiritualismo sofrendo às vezes a falta de fatores básicos:higiene,saúde,alimento.O que vemos hoje seria o oriente buscando o material e o ocidente o espiritual.Não tinha como não lembrar do sábio Zé Emilio citando o memorável Pessoa "Nem tanto ao mar,nem tanto à terra".Acho que é aí que tínhamos que chegar,deve ser esse o "tal" Nirvana,o equilíbrio.
ps>e aí lembrei que de alguma forma muita gente cita o equilíbrio:nossa famigerada "mão invisível" de Smith,o Ying-Yang,Nash..talvez seja verdade
Postar um comentário